Pela minha concepção e interpretação, basicamente sobre o espiritismo (que teria muito mais a ver com ciência do que com religião), a crença em Deus não é, de maneira alguma, diretamente relacionada a crença em Cristo. É bem simples, mas geralmente as pessoas fundem as duas entidades numa só, orientadas pelas vozes católicas. Só que não tem de ser assim. Eu sou absolutamente cética com relação a Cristo, mas acredito na possibilidade de haver um “Deus”, mas um bem diferente do imaginário popular e do que diz a Igreja.
Existe uma grande probabilidade de Jesus nem ter existido ou, pelo menos, não ter sido tão importante e não ter feito todos aqueles milagres. A única fonte que “comprova” sua existência e seus atos é a Bíblia, um livro muito antigo e desorganizado, com inúmeras situações física e moralmente absurdas. É inquestionável que Moisés não abriu o Mar Vermelho, isso é apenas uma metáfora, uma historinha para passar uma lição de moral, como boa parte do Novo Testamento. Não é racionalmente cabível acreditar em tudo que a Bíblia diz. Jesus, se é que existiu, deve ter sido um homem bom, com uma mentalidade muito avançada para sua sangrenta era, que pregou bons princípios a seus seguidores e contribuiu para o avanço da humanidade. Ótimo, mas é apenas isso, nada de mágica, gente subindo ao céu nem água virando vinho.
O Velho Testamento é assombroso, muito violento, machista e anti-moralista. Não vejo sentido em basear uma religião tão grande nesse livro. E nem me venha com o papo de tirar só as coisas boas da Bíblia. Sendo assim, ela nem é necessária, pois ao tirar as apenas coisas boas, obviamente já saberemos distinguir o que é bom do que é maléfico. Todos os conceitos positivos que ela passa, se pode tirar de outro lugar. A própria evolução nos ensinou a sermos bons uns com os outros para convivermos bem em comunidade, tirando um proveito individual disso. Porém, a situação há 2 mil anos atrás era bem diferente. Naquela época, a Bíblia deve ter sido algo revolucionário, muito mais evoluído do que a situação da sociedade. Ali sim, ela teve um papel efetivamente importante. Hoje, não.
Já Deus deve ter muito mais a ver com energia, aquilo que faz as moléculas se unirem, os genes serem decodificados, as substâncias serem produzidas e as células se multiplicarem. Uma espécie de energia vital que faz o mundo girar. Bem, mas são apenas pensamentos e hipóteses, ainda quase sem nenhuma base científica. Posso, porém, assegurar que Deus não tem nada a ver com um papai que fica te cuidando lá do céu. Ele não vai ficar brabo nem chorar por causa dos pecados da humanidade. Também não vai mandar um dilúvio inundar o mundo inteiro porque somos muito maus. Enfim, sou atéia até que me provem o contrário, ou até que me sinta esclarecida o suficiente.
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