Eu odeio carros. Odeio a importância estúpida que a sociedade brasileira dá ao fato de possuir um, dois ou três automóveis na garagem, quanto mais novos, modernos e caros forem, melhor, é claro. Eles não são tão necessários assim, não devemos pensar que dependemos deles para ir a qualquer lugar, por que há, ou deveria haver, alternativas. Uma cena revoltante é se deparar com engarrafamentos gigantescos, protagonizados por dezenas de carros com uma ou duas pessoas dentro, sabendo que eles acontecem todos os dias em todos os lugares, mas o pior ainda é perceber que isso é visto com uma normalidade absurda pela grande maioria.
Para quê? Eles são poluentes, sujam a cidade e sua presença sempre excessiva pelas ruas atrasa e estressa milhares de proprietários, pedestres e ciclistas todos os dias, em praticamente todas as cidades do país. A sociedade de consumo quer que você esteja sempre com o carro do ano em sua bela garagem, ela só quer seu bem, quer te fazer ficar na moda e aumentar seu status frente seus amigos e colegas de trabalho. Se bem que, no fundo, o que ela quer mesmo é que você possua todo e qualquer produto que ela lhe oferecer, e que você encontre prazer, muito prazer nisso. Mas convenhamos, todos sabemos que você não é uma marionete dessa fervorosa sociedade ridicularmente capitalista. Não é? Ou é? Bem, não deveria ser. Não deveria, mesmo.
Se estão todos felizes andando com seus carrinhos e levando 1,5h para chegar ao trabalho, por que o governo iria se preocupar em mudar alguma coisa nisso tudo, não é mesmo? Ainda mais se as gigantes multinacionais aumobilísticas fizerem alguma pressãozinha. Mas que se fodam as multinacionais ou a falta de interesse político - isso tem que mudar, logo. Ciclovias e metrôs, até corredores de ônibus já ajudam. Mas que sejam metrôs e ônibus descentes, por favor. Queremos que seu uso seja algo normal, corriqueiro, óbvio e agradável, para que tanto o pedreiro como o alto executivo ande neles, sem ser alvo de nenhum tipo de preconceito ou rejeição social por isso.
A questão não é não gostar de carros - eu mesma acho alguns modelos muito bonitos e quero ter um algum dia -, a questão é fazer isso de maneira plenamente consciente e responsável. O que eu gostaria que as pessoas entendessem é que carros não são essenciais, não é bonito sair de casa dentro de um todos os dias da semana. Eles são úteis, é claro, e podem ser necessários em certos momentos, mas há como viver muito bem sem eles também.
Plenamente apoiada.
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