sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

CHE

 
Sim, Ernesto Che Guevara é um GRANDE ícone pra mim, é como se eu o compreendesse em todos os seus atos, concordando ou não. Já li os seus diários, e o fato é que ele me parece muito familiar, às vezes até esqueço que já foi assassinado, e talvez por isso, nem conseguiria idolatrá-lo como um deus ou algo do tipo. Tenho uma bela camiseta com a sua face estampada, e um quadro seu pendurado na parede do meu quarto, mas da mesma maneira como tenho camisetas dos Ramones e um quadro deles também.
Não quero que as pessoas lembrem do Che como um sanguinário-guerrilheiro-comunista-comedor-de-criancinhas-que-passa-o-dia-fumando-cigarros-cubanos. Esse é o estereótipo que os Estados Unidos passaram para justificar a morte dele, esta sim sanguinária. Muito mais do que um guerrilheiro, ele era um pensador. O cara lia muito, tinha uma visão muito ampla e bem definida sobre o que acontecia (acontece?) no mundo, ele via as coisas do jeito que poucas pessoas conseguem, querem ou são permitidas a ver. Mas o mais importante, e o que faz dele um nome a ser lembrado, é que dedicou-se completamente a causa, lutando por ela até o fim, literalmente.
Ele detinha um carinho apaixonante pela América Latina, tanto que fez questão de conhecer cada pedacinho dela e tomar conta da sua realidade com os próprios olhos. Assistindo a continuidade do imperialismo ianque em terras latinas, e africanas também, lutou a vida inteira pela liberdade desses povos. O caminho escolhido foi o comunismo, que de fato seria o mais viável e igualitário, na medida do possível. A maneira para implantá-lo foi a luta armada, a guerrilha. E será que haveria outra forma? Frente a incessante vigilância dos EUA sob a ameaça que a frente revolucionária representava, creio que não. Por vias pacíficas, as manifestações certamente seriam reprimidas e divulgadas no jornal como atividades terroristas.
Ele não era cruel, não era violento, ele apenas teve uma ideologia e precisou se adaptar as circunstâncias. Só que ele falava, ele pregava seus ideais nem olhando para quem, ele queria, tinha uma vontade imensa de difundir o que ele pensava, o que ele sabia. E isso sim representava perigo. Ele queria conscientizar as pessoas do que estava acontecendo, seus guerrilheiros não eram meros soldados, eram defensores de uma causa. Tudo isso era um problemão e tanto para a potência capitalista que, fervorosamente imperialista, tinha (tem?) suas principais colônias fornecedoras de matérias primas em terras latinas. "Agora esse povo todo teria seus olhos abertos sobre a exploração que lhes impomos? Que absurdo! De maneira alguma vamoms deixar isso acontecer!! Quem é o responsável?? Tratem de aniquilá-lo a qualquer custo!" Simples assim.
Ele não lutou para se tornar um líder político, nem a fim de tornar-se um ícone a gerações e desdobrar-se em estampa de camisetas. Apenas lutou para defender o que achava certo, lutou pela mais pura igualdade e liberdade de todo e qualquer povo em cada cantinho do mundo.

3 comentários:

  1. "Ele não era cruel, não era violento, ele apenas teve uma ideologia e precisou se adaptar as circunstâncias " ... Hay Que Endurecer, Pero Sin Perder La Ternura Jamás!

    Bahh adoro muito o Che!!!
    Se tu te pilhar.. pegamos uma moto e viajamos pela américa latina..
    Adorei o teu blog.. vamos nos falando sobre zilhões de coisas Trii!! Bjus

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  2. "Eu amo a juventude como tal. O que eu abomino é o jovem idiota, o jovem inepto, que escreve nas paredes "É proibido proibir" e carrega cartazes de Lenin, Mao, Guevara e Fidel, autores de proibições mais brutais." - Nelson Rodrigues

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